Glossário SICRO
Termos técnicos do sistema de custos rodoviários DNIT/SICRO. Do BDI ao canteiro de obras, definições precisas para orçamentistas e gestores de contratos.
- Administração Local (AL)
- Custos necessários para a administração e gerenciamento da obra no próprio canteiro, distintos da Administração Central (overhead da sede). Inclui engenheiros, técnicos, topógrafos, almoxarifes, segurança do trabalho e demais profissionais dedicados ao local da obra. No SICRO, a administração local é tratada como uma composição específica (Volume 07 do Manual de Custos), calculada em função da duração e do porte da obra. É um componente fundamental do custo indireto que deve ser explicitado na planilha orçamentária.
- BDI (Bonificação e Despesas Indiretas) Buscar →
- Percentual aplicado sobre o custo direto da planilha para cobrir despesas indiretas, riscos e lucro da empresa contratada. Para obras rodoviárias, o TCU Acórdão 2622/2013 estabelece faixas específicas: lucro de 7,5% a 11,4% para obras lineares (superior ao das prediais), resultando em BDI típico de 22% a 27%. O BDI de infraestrutura é calculado pela fórmula: BDI = {[(1+AC)×(1+S)×(1+R)×(1+G)] / [(1−DF)×(1−L)] − 1} × 100. A administração local NÃO integra o BDI no SICRO — ela é uma composição separada na planilha.
- Caderno Técnico DNIT
- Documento técnico editado pelo DNIT que detalha a metodologia, critérios de medição, normas aplicáveis e escopo de cada grupo de composições SICRO. São organizados em volumes temáticos (drenagem, pavimentação, estruturas metálicas, sinalização etc.) e definem o que está incluído e excluído em cada serviço. A correta interpretação do Caderno Técnico é obrigatória para elaborar orçamentos precisos e evitar sobreposições ou omissões na planilha de preços.
- Canteiro de Obras
- Custo das instalações provisórias necessárias para a execução da obra: alojamentos, refeitório, sanitários, escritório de campo, almoxarifado, laboratório de solos e concreto, galpões de equipamentos, subestação elétrica e outras infraestruturas temporárias. No SICRO, o canteiro é tratado como composição analítica no Volume 06 do Manual de Custos, proporcional ao porte e duração da obra. É um custo indireto explicitado na planilha, não embutido no BDI.
- Coeficiente de Consumo
- Quantidade de determinado insumo necessária para executar uma unidade da composição. Por exemplo: para produzir 1 m³ de concreto fck 25 MPa o coeficiente de cimento CP-II pode ser 0,350 tonelada; para 1 m³ de escavação em material de 1ª categoria com escavadeira, o coeficiente da máquina pode ser 0,0115 h. Os coeficientes SICRO são estabelecidos pelo DNIT com base em estudos de produtividade e normas técnicas. Coeficientes incorretos ou desatualizados distorcem o orçamento.
- Composição de Custo Buscar →
- Estrutura analítica que descreve como executar um serviço de engenharia rodoviária, listando insumos (materiais, mão de obra, equipamentos) com seus respectivos coeficientes de consumo. O custo unitário é a soma dos produtos preço × coeficiente para cada insumo. As composições SICRO têm código de 7 dígitos e são agrupadas por categoria de serviço (terraplenagem, pavimentação, drenagem, estruturas etc.). São publicadas mensalmente pelo DNIT para cada Unidade da Federação.
- Custo Horário de Equipamentos
- Custo por hora de operação de cada equipamento, utilizado nas composições analíticas (Grupo A). O SICRO calcula o custo horário considerando: custo de aquisição, vida útil, taxa de juros, seguros, manutenção (peças + mão de obra de mecânico), combustível, lubrificantes, pneus (quando aplicável) e operador. Por isso o custo horário de um equipamento já inclui o motorista/operador em muitas composições. A metodologia de cálculo está detalhada no Volume 03 do Manual de Custos SICRO.
- DNIT — Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
- Autarquia federal vinculada ao Ministério dos Transportes responsável pela administração da infraestrutura rodoviária e ferroviária federal do Brasil. O DNIT publica e atualiza mensalmente a tabela SICRO, que serve como referência obrigatória para orçamentos de obras de infraestrutura financiadas com recursos federais, conforme a Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), art. 23. Os dados são públicos e disponíveis no portal do DNIT.
- Drenagem (categoria SICRO)
- Uma das principais categorias de composições SICRO, abrangendo todos os serviços de controle e escoamento de águas superficiais e subterrâneas em obras rodoviárias: sarjetas, valas, bueiros tubulares, bueiros celulares, caixas coletoras, descidas d'água, drenos profundos e dissipadores de energia. A drenagem representa parte significativa do custo de rodovias, especialmente em regiões de alta pluviosidade ou topografia acidentada.
- Encargo (custo de mão de obra)
- Percentual aplicado sobre o salário nominal do trabalhador para cobrir as obrigações legais e convencionais do empregador: INSS patronal, FGTS, férias com 1/3, 13º salário, aviso prévio, auxílio-doença, seguro de vida, SENAI, SENAT, SEST e outros. No SICRO, diferente do SINAPI, o custo de mão de obra já está embutido no custo horário de equipamentos (operadores) e nos insumos de mão de obra avulsa (Grupo B). Os encargos variam por UF e tipo de vínculo. Podem representar 70% a 130% do salário base.
- FIC — Fator de Influência no Custo
- Coeficiente utilizado nas composições de custo horário de equipamentos para ajustar custos variáveis (combustível, lubrificantes, filtros) conforme o grau de operação da máquina. Equipamentos em operação contínua sob carga máxima (como escavadeiras em material rochoso) têm FIC maior que equipamentos em serviço leve. O DNIT estabelece os FIC referenciais no Volume 03 do Manual de Custos SICRO.
- Grupos A, B e C (Composição Analítica)
- Classificação dos insumos dentro de uma composição SICRO em três grupos: Grupo A — Equipamentos (incluindo operadores e combustível no custo horário); Grupo B — Mão de Obra avulsa (trabalhadores sem vínculo com equipamento); Grupo C — Materiais (insumos permanecentes na obra após a execução, como brita, cimento, asfalto, aço). A estrutura A/B/C permite verificar se o orçamento contempla todos os recursos necessários e facilita auditorias do TCU e DNIT.
- Insumo Buscar →
- Material, componente de mão de obra ou equipamento utilizado em uma composição de custo. No SICRO, os insumos são identificados por códigos alfanuméricos com prefixos indicativos: M para materiais, P para pessoal (mão de obra) e A para equipamentos (do espanhol "aparato"). Cada insumo tem preço pesquisado mensalmente pelo DNIT para cada UF. Os insumos SICRO se concentram em infraestrutura rodoviária, diferindo significativamente dos insumos SINAPI (construção predial).
- Mobilização e Desmobilização
- Custos para deslocar equipamentos e pessoal da base da empresa até o local da obra e retorná-los ao final do contrato. Inclui transporte pesado de máquinas, seguros de transporte, montagem/desmontagem de equipamentos de grande porte (usinas, britadores) e viagens de funcionários. No SICRO, a mobilização é tratada como composição específica no Volume 08 do Manual de Custos, proporcional ao número e tipo de equipamentos e à distância de transporte. Deve ser incluída separadamente na planilha orçamentária, não no BDI.
- Pavimentação (categoria SICRO)
- Conjunto de composições relativas à execução do revestimento e estrutura do pavimento rodoviário: sub-base, base granular, base de solo-cimento, imprimação, pintura de ligação, CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), TST (tratamento superficial triplo), pré-misturado a frio, pavimento de concreto e outros. A pavimentação geralmente representa a maior parcela do custo de obras novas de rodovias e é uma das categorias com maior número de composições no SICRO.
- Referência (mês/ano)
- Mês e ano ao qual os preços pesquisados pertencem. Por exemplo, "2026-01" indica preços coletados com referência a janeiro de 2026. O DNIT publica a tabela de cada mês de referência com algumas semanas de defasagem. Em licitações públicas, deve-se utilizar o mês de referência vigente na data da elaboração do orçamento base, conforme IN SEGES 65/2021 e orientações TCU. Alterar retroativamente o mês de referência sem justificativa técnica pode caracterizar sobrepreço ou subfaturamento.
- SICRO — Sistema de Custos Referenciais de Obras
- Sistema oficial brasileiro de referência de preços para obras de infraestrutura de transportes, gerenciado pelo DNIT. Abrange composições para rodovias (terraplenagem, drenagem, pavimentação, sinalização, obras de arte), ferrovias, portos e aeroportos. É a referência obrigatória para obras financiadas com recursos federais na área de transportes, conforme Lei 14.133/2021. Atualmente na 4ª edição (versão 1.1), com mais de 6.500 composições analíticas e 2.300 insumos. Diferencia-se do SINAPI (obras prediais, CEF/IBGE) por focar exclusivamente em infraestrutura viária.
- SINAPI × SICRO — Quando usar cada um Ver no SINAPI ↗
- SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices — CEF/IBGE): obras prediais, saneamento, urbanização e edificações financiadas com recursos federais. Mais de 10.000 composições. SICRO (DNIT): obras de infraestrutura de transportes — rodovias, ferrovias, pontes, viadutos, túneis, portos, aeroportos. A escolha errada invalida o orçamento. Obras mistas (galpão logístico + acessos rodoviários) devem usar SINAPI para a edificação e SICRO para os acessos. O TCU audita a conformidade do sistema de referência utilizado.
- Terraplenagem (categoria SICRO)
- Conjunto de composições relativas ao preparo do terreno para a construção da rodovia: desmatamento, destocamento, escavação (1ª, 2ª e 3ª categorias por dureza do material), carga, transporte (calculado por DMT — Distância Média de Transporte), espalhamento e compactação de aterros. A classificação do material em categorias é fundamental para o orçamento: 1ª categoria (solos), 2ª (solos com pedras e matacões), 3ª (rocha sã). A escavação de rocha requer desmonte por explosivos e tem custo muito superior às demais.
- Unidade de Medida
- Grandeza que quantifica a composição ou insumo, determinando a base de cálculo do preço unitário. As principais unidades no SICRO: m³ (terraplenagem, concreto), m² (pavimentação, sinalização horizontal), m (sarjetas, defensas), un (bueiros, tubos), h (equipamentos, mão de obra), t (asfalto, aço), kg (vergalhão, parafusos), l (tintas, solventes) e vb (verba — serviços de difícil quantificação). A unidade deve estar alinhada com os critérios de medição do Caderno Técnico correspondente.
Obras prediais (edificações)? Consulte o Glossário SINAPI para termos específicos de construção civil (BDI predial, desoneração, CSD/CCD, encargos SINAPI).